Desde a infância, aprende-se que a mudança é parte essencial da vida.
Muda-se o corpo, a voz, os cabelos; muda-se a casa, o trabalho, os amigos, a cidade.
A transformação do comportamento também faz parte desse fluxo. Mudar é uma constante, e, junto à maturidade, torna-se onipresente.
Esse tema já ecoou entre filósofos e escritores. Buda disse: “A única constante na vida é a mudança.” Tolstói, por sua vez, refletiu: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si próprio.” Mas é em Heráclito que encontro a definição que mais me toca: “O mundo é um eterno devir.” Há uma mudança incessante, imprevisível, que define a própria natureza da existência.
E assim percebo minhas próprias transformações. Hoje, prefiro a casa à rua e aos bares. Priorizo encontros íntimos, mas celebrar a sexta-feira à noite, com um bom vinho e a companhia de quem amo, tornou-se a verdadeira festa.
Acordar cedo no fim de semana, preparar o café, contemplar o presente, observar cada detalhe da casa e a história que ela carrega — essa tem sido a melhor escolha.
A mudança também se revela em outro aspecto: as viagens. Houve um tempo em que viajar significava explorar sem descanso, passar os dias flanando pela cidade, provar cada prato típico, riscar o máximo de pontos turísticos da lista. Dormir pouco era regra. Hoje, tudo isso passou.
De todas as minhas mudanças, esta é a mais silenciosa e contemplativa. Chega sem alarde, lapidando preferências, tornando o simples grandioso.
E assim seguimos, mudando e nos refazendo. Para melhor ou pior? A resposta é única para cada um. Entre subidas e descidas, uma certeza permanece: somos parte do todo em transformação.
Viver é mudar. Ou, se preferir, mudar é viver.
Gilberto Salles Jr