Bom dia.
Acordou agora? Que vozinha de sono!
A Zélia
já chegou? Peça a ela para limpar os interruptores. O que teremos para o
almoço? Estou com uma vontade de comer o seu filé à parmegiana.
As dores
das pernas diminuíram? A Senhora é terrível, não vai ao médico de jeito nenhum!
Diariamente,
as mesmas frases, as mesmas respostas, as mesmas cobranças.
Os mesmos
horários, três vezes ao dia, duas ligações feitas do trabalho e a outra realizada no intervalo da
novela das 21h.
Nos dias
tranquilos, as risadas são as melhores, nos estressados ela é só silêncio, ao
final da cartase a doce resposta: - “meu filho acalme-se, você ainda terá um
enfarto, tão novo e já assim?!”
Faça o
que eu falo, vocês não me escutam! A rispidez da intolerância é só para
proteger, para salvar, essa é a única intensão.
Não
importa a meteorologia, domingo a mesa é posta para a reunião familiar e amigos
ou a quem queira chegar.
Não vem? Poxa, fiz tanta comida! Você não veio semana passada também.
Está
tudo bem com vocês? Como está o Cris, meu loirinho? Você não anda deixando ele
agitado, não é?
Estou
pensando em ir ao Cruzeiro do Roberto Carlos.
Vá sim,
mãe, você vai adorar!
Não
quero ir sozinha, quer ir comigo?
Não
posso agora.
Comprei
presentes para as crianças.
Novamente, “Dona Penha”? Vou amarrar suas mãos, sai da internet.
Meu
computador está péssimo, está travando, vou ligar para o técnico.
Boa
noite, fofo! Durma com Deus.
Você
também mãe, durma com ele.
Vá
deitar, não fume; ouviu, minha gordinha!
Ô menino
chato...humm. Tchau.
Hoje as
conversas são silenciosas, em forma de oração, ligada pelo coração.
O telefone
calou-se; a casa está vazia.
A cabeça tenta alcançar os detalhes, a lembrança é dolorosa, o corpo dói.
A voz, o
cheiro, a presença ainda são fortes.
Momentos
cotidianos.
Momentos
bons.
Momentos eternizados.
19 de fev. de 2019
Momentos Eternizados
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