POLÍTICA E PETRÓLEO
O mesmo homem celebrado pelas histórias infantis seria perseguido pelo governo de Getúlio Vargas nos anos 1930. Lobato encabeçava campanha pela soberania brasileira na extração e refino do petróleo enquanto o discurso governamental buscava facilitar a exploração por parte de empresas estrangeiras.
Sem se intimidar, o escritor gastou as últimas economias na fundação de quatro empresas de perfuração, sem jamais recuperar o investimento. Depois, perdeu prematuramente os dois filhos. Primeiro Guilherme, em 1938, depois Edgar, em 1943, ambos vitimados pela tuberculose, e ficou preso em 1941 por três meses durante o Estado Novo, por fazer duras críticas ao Conselho Nacional do Petróleo. Curiosamente, dois anos antes, em 1939, o petróleo foi descoberto em Salvador, em uma área chamada Lobato.
Sem se intimidar, o escritor gastou as últimas economias na fundação de quatro empresas de perfuração, sem jamais recuperar o investimento. Depois, perdeu prematuramente os dois filhos. Primeiro Guilherme, em 1938, depois Edgar, em 1943, ambos vitimados pela tuberculose, e ficou preso em 1941 por três meses durante o Estado Novo, por fazer duras críticas ao Conselho Nacional do Petróleo. Curiosamente, dois anos antes, em 1939, o petróleo foi descoberto em Salvador, em uma área chamada Lobato.
Mas a vida de Monteiro Lobato nunca mais foi a mesma. Foi perseguido por Getúlio e pelo governo seguinte, de Eurico Gaspar Dutra. E, do inconformismo com o país, escreveu Zé Brasil (1947), o último livro da carreira e que trazia à tona mais uma vez seu famoso personagem Jeca Tatu, dessa vez transformado em sem-terra.
A morte veio em 4 de julho de 1948, após um espasmo cerebral. Dia antes, como Maria José Sette Ribas, a já falecida revisora por toda a vida contou no livro Monteiro Lobato e o espiritismo (2004), o escritor assim se despediu: “Minha flha, amanhã ou depois, se vir no jornal que eu morri, você não vai chorar. Sabe bem que não morremos e esta foi, apenas uma de minhas passagens sobre a terra. Somos imortais”.
Por Gustavo Ranieri
Revista Cultura - edição 39
Mês Outubro
Então, o que temos para comemorar
"...O nome do artigo pode ser traduzido por “A trama me fugiu”, e seu argumento é simples e direto: por que lemos tanto se nossa memória retém tão pouco do que lemos?
Sua inquietação começou quando Collins percebeu que não conseguia se lembrar de quase nada de um livro que ele sempre quis ler – e que quando o encontrou, devorou-o. Anos depois, ao querer usá-lo como referência, viu que muito pouco dele tinha ficado na sua memória – e ele dá outros exemplos parecidos. Frustrado, ele pergunta então qual a razão do nosso impulso pela leitura?
Consultando uma professora de desenvolvimento infantil da Universidade de Tufts, ele procurou confirmar uma resposta da qual ele já suspeitava: que os livros que ele leu e gostou, ainda que “esquecidos”, ajudaram a formar as idéias na sua mente – e que, mesmo sem lembrar de detalhes, eles emitem uma espécie de “radiação intelectual” presente até hoje, mesmo que não seja possível “detectá-la”. A professora, Maryanne Wolf, evidentemente, concordou com a idéia: Collins era sim uma pessoa diferente por ter lido todos aqueles livros. E completava: “Digo isso como neurocientista e graduada em literatura clássica”!
E o mesmo raciocínio, conclui Collins, pode se estender a qualquer produto cultural com o qual ele havia cruzado até então – e mesmo com as conversas mais interessantes que teve com amigos e intelectuais. Você se lembra da última “briga” que teve com um amigo que te desafia nas idéias? Claro que sim! Você seria capaz de reconstruí-la, palavra por palavra? Claro que não! Mesmo assim, não valeu a pena ter se envolvido nessa discussão? Ora, que pergunta…"
Texto: Então, o que temos para comemorar
Ensinar alguém a ler e a escrever é resgatá-lo da Pré-história e inseri-lo na História.
ResponderExcluirEsse é meu ofício, tenho sorte.
A apropriação da escrita, tanto quanto o convívio social criam o sujeito histórico atuante.
O TEXTO QUE VOCÊ POSTOU ME FEZ REFLETIR.
Eu creio que os livros, as artes, a cultura o tocam sobremaneira nos aspectos cognitivos, psicológicos, ideológicos e afetivos...
Mas nada como a convivênvia com seus iguais (e seus diferentes...rs) pra causar tranformações e criar recursos para cada pessoa.
Creio que de cada um que encontramos levamos conosco um pedaço de bem ou de mal e de nós deixamos um pouco.
De fato, todos os livros, artes, ciência, saberes, estão bem ao meu lado, no meu próximo. E em mim mesmo estão.
Te amo! Com tudo que você me deu de seu!
Beijo!
Jane,
ResponderExcluirConcordo em tudo e principalmente quando diz que o convívio é necessário para causar transformação. Pode ter certeza: a nossa troca é a parte de mim hoje a qual me permite ver as coisas e aceitá-las de maneira mais suave e tranquila. Não esqueço um belo dia, deitados na cama, com vista para o mar – inesquecível -, quando me falou: todos são iguais, não há pecado em amar, seja da maneira que for não se sinta menos, não se sinta melhor nem pior, simplesmente sinta. Talvez não tenha sido exatamente com essas palavras, mas foi com toda essa melodia que tocou meu coração.
Obrigado pelo aprendizado, pelo convívio e pelo carinho!
Amo te!!!
Beijossss