De A a Z o alfabeto está completo, a macacada está reunida.
Desde sempre, encontram-se para rir, sambar, tocar, beber e levantar bandeira, neste quesito somos os melhores.
Se precisar há advogados, artistas - dos bons -, dentista, chef de cozinha, músicos, DJs, cartomantes, macumbeiros, católicos, gays, héteros, mães, simpatizantes, a lista é infinita.
Aqui, como já disse Martinho da Vila, um de nossos mentores, “todo mundo é bamba, todo mundo bebe, todo mundo samba, tem galinha preta, azeite de dendê e até canjica pra comer”. Aqui temos AXÉ. Saravá!
Há plano piloto, satélites, interestadual e até internacional.
Pode faltar tudo entre nós, dinheiro, sexo (acontece... rsss), até a saúde (Deus nos livre - faça um sinal da cruz) ou qualquer porra dessa, dificuldade sempre aparece quando menos esperamos. Mas não pode faltar o amor, o carinho, o afeto, a mão estendida e, principalmente, aquele olhar sincero do amigo-irmão, o qual sabemos bem como é. A tecnologia dá aquela força na distância física. Santa internet!
Assim, tem sido anos após anos, cumprimos sabiamente a cartilha da amizade-sincera.
Nossa amizade transcende o físico, aqui peço um minuto de silêncio aos nossos queridos e amados, os quais estarão sempre encruados em nossos cognitivos, que conosco brincou, bebeu (e muito!), fizeram muita merda, fazemos merda siimm, somos desses.
Cada encontro é um portal que nos leva ao passado e nos deixa mais forte no presente. E o futuro, ahh, o futuro que se foda! Está tão bom o aqui e o agora.
Deixa a cerva gelada descer, a memória trabalhar e a lembrança aflorar.
Abra os sentidos permita-se ir à new aquarius, com o seu gim barato e aguado, a escada sinistramente inclinada, o porteiro grosseiro, as travas e suas apresentações bizarras e corajosas, aos carnavais na w3, no eixão, às noites no beirute, no Atlas, no Bizarre, na T99...
Tenho pena daqueles que dizem estarmos parado no tempo.
Queria eu que este portal aberto nos prendesse para sempre lá, na Terra do nosso nunca: nunca tristeza, nunca medo, nunca preconceito, nunca o dia seguinte de ontem. Sempre vivemos intensamente.
Gostamos mesmo dos que têm fome, dos que morrem de desejo, dos que ardem, como Adriana Calcanhoto.
Vamos aproveitar o momento, cada segundo entre nós, sairemos somente quando a última luz acender para nos lembrar de que temos de retornar ao futuro-presente, não cederemos facilmente, unidos, lutemos para continuar no passado-presente para que não nos leve até ao portal da saída. Vamos dar as mãos, mostremos nossa resistência, e se involuntariamente sairmos, sairemos entrelaçados para não nos perdermos no caminho, vamos cantando, cantando bem alto, registrando nossa indignação, queremos ficar aqui, entre lá e cá, para sempre: “pode passar o rodo e me mandar embora que vou ficar dançando lá do lado de fora, pode passar o rodo e me mandar embora que vou ficar dançando lá do lado de fora... sai, sai do meu caminho...”
Gilberto Salles Junior
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